Coisas que eu observo

Another golden day

Filed under banalidade by M. on 09-04-2012

 Estou prestes a passar para a outra margem do rio comigo ao volante, um feito quase épico para mim. De pé bem pesado no acelerador, olhar atento, vou cantarolando uma a uma as músicas que levo no meu ipod. Uma a seguir à outra confio no modo aleatório que me traga mais uma música perfeita. Não sei se aquele pequeno aparelho cinzento com uma pequena maçã tem poderes mágicos, se adivinha o que quero ou se é coincidência, o facto é que estava a pedir uma música que fosse capaz descrever o que penso neste preciso momento, e numa espécie de toque de magia começou a tocar “My Golden Days”.

 Com um sorriso na cara continuo a minha viagem tranquilamente. Olhei para o céu, uma “matilha” de nuvens negras e sedentas de começarem um dilúvio pairam furiosamente lá em cima.

 Sinto que estou a chegar.. Já que estamos no campo das coisas improváveis vou confiar no meu sentido de orientação.

 Minutos volvidos para surpresa das surpresas chego ao destino sem um único engano ou hesitação. Aplico os meus dotes de condutor não urbano e estaciono de forma sofrível o carro.

 Sei que cheguei demasiado cedo, de qualquer forma decido sair do carro, não há qualquer razão para que fique aqui em vez de subir. Abro a porta do meu carro e sem aviso começa a chover copiosamente. Hesito mas acabo por voltar para trás. Decido voltar para o carro. Não é o melhor sitio para esperar mas aqui sempre posso ficar seco enquanto espero por ti.

 Trocamos mensagens e fico que a saber que vais descer não tarda nada. A chuva não pára e claro guarda-chuva  nem vê-lo. A chuva é intensa  e não parece que vá parar tão cedo.

 Tiro o casaco e decido sair do carro. Ao longe vejo o meu amor mais que perfeito a olhar para mim com um brilho dos olhos por me ver mas também com um ar reprovador por estar andar à chuva. Bastou uma troca de olhares até perceberes no que estava a pensar. Sim, isso mesmo no que estás a pensar!

 Enquanto alargo o passo, vejo-te a abrir a porta da entrada do teu prédio. Dei por mim a correr na tua direcção. Não sei como foi tudo tão rápido, num momento estava a correr e no momento seguinte estava a beijar-te! Abracei-te, abracei-te com a intensidade que tu bem conheces. Peguei-te ao colo e rodopiei-te. Com cuidado, volto a colocar-te no chão, inclino o teu corpo para trás e beijo-te mais uma vez, um beijo demorado, intenso, perfeito! Voltamos a olhar-nos olhos nos olhos, um sorriso genuíno, apaixonado ilumina o nosso rosto. Que momento romântico, daqueles que parece estar ao alcance apenas de um guião de um amor perfeito. Na verdade é um amor mais que perfeito, o nosso amor. Amo-te tanto mas tanto meu amor mais que perfeito!

Lost in

Filed under banalidade by M. on 14-02-2012

Tenho literalmente Lisboa a meus pés. Do alto de uma das suas colinas observo a beleza da cidade que tanto gosto.

Qualquer pessoa que aqui venha certamente que se apaixonar-se-á com a imponência da vista, com a tranquilidade do que nos envolve, com o ambiente verdadeiramente místico. Sem dúvida que tudo isso á mais do que suficiente para apaixonar qualquer um e claro não sou excepção. No entanto para mim mais do que a invulgar beleza deste espaço, para mim é especial porque foi aqui que tudo começou..

Há momentos que não se esquecem e esse é sem dúvida um deles. Recordo com um sorriso o nervosismo e a magia da pergunta mais importante que alguma vez fiz. Na altura toda a grandeza deste local desaparecera, estava apenas e só concentrado na tua expressão, no teu olhar, no teu rosto, na tua resposta; o chão parecia mover-se, a respiração ficou suspensa, até parece que o coração parou de bater, enquanto fazia a pergunta que tanto querias ouvir. Já sabia a resposta mas só quando ouvi o sim é que fui capaz de despertar e absorver o encanto do momento.

Penso nesse dia e sorriu. É incrível como um dia, um momento pode mudar uma vida..

Hoje escreve-se sobre o amor perfeito, promete-se o amor eterno.. Eu tenho  o prazer de senti-lo, de recebe-lo e claro de o dar todos os dia.

Foi aqui que tudo começou.. Do alto de uma das suas colinas observo a beleza da cidade que tanto gosto.. e penso no quanto te amo. Amo-te tanto mas tanto meu amor. Obrigado por tudo!

O melhor dia de chuva

Filed under banalidade by M. on 07-11-2011

  Toca o despertador. Está a chover! Como eu detesto a chuva! Tem um toque especial em mim, consegue deixar-me irritado mesmo sem sair de casa.

  Visto uma roupa quentinha, seca; calço umas botas e preparo-me para enfrentar este dia que promete ser enervante. Pego no chapéu de chuva mas depressa desisto da ideia de o levar. Como eu detesto usá-lo!

  Saio de casa, chove a potes como diria a minha avó. Não demorei sequer dois minutos a apanhar o autocarro que queria mas foi o suficiente para ficar encharcado. Como eu detesto a chuva! Vou todo molhado no meu canto a lamuriar-me de mais um dia chuvoso de Novembro. É hora de sair do refúgio, aquele que muitas vezes de quem nos queixamos, hoje, esse mesmo autocarro parece acolhedor. Não me resta outra alternativa que não caminhar à chuva. Dez minutos de chuva intensa e num chapinhar constante. Pés molhados, corpo encharcado, cabelo a pingar e um humor insuportável é este o meu estado irresistível do momento. Como eu detesto a chuva!

  Chego ao café do costume. A esplanada vazia, molhada convida-me a entrar no conforto de um ar condicionado e uma cadeira confortável. Peço um caffè latte e uma torrada quentinha. Tiro o casaco encharcado e penduro-o para que possa secar.

  Deixo-me envolver pelo ar acolhedor do espaço e pela melancolia do que consigo observar lá fora. Decido trabalhar, é sempre assim quando me sinto aborrecido, é um bom escape. Quem não o utiliza? Folha em branco, lápis na mão e uma borracha pronta para qualquer eventualidade e estou preparado para horas a transformar aquele vazio.

  De olhos postos no que escrevo não ligo a mais nada. Sorrateiramente alguém coloca-se atrás da minha cadeira e subtilmente sinto umas mãos geladas a tapar os meus olhos. Tenho um arrepio de frio mas sorrio, ou sorrio e tenho um arrepio. Não sei qual deles foi o primeiro, e sinceramente a ordem não me parece importante, arrepiei-me porque aquelas mãos naquele momento podiam passar por um cubo de gelo e sorri porque apesar de geladas, a subtileza, a suavidade do seu toque é inconfundível. Sem dizer o seu nome como mandam as regras do jogo viro-me para o primeiro beijo do dia. É o primeiro do dia, mas é como fosse o primeiro de todos porque é sempre único, mágico, inesquecível como o primeiro. Beijo-te, beijo-te com a felicidade e a certeza de quem beija a mulher da sua vida. Estás giríssima, estás sempre mas hoje estás especialmente gira, sabes bem o quanto gosto ver-te de vestido, especialmente esse vestido, preto, comprido, justo e fino perfeito para de tocar.

  Após mais um beijo, o segundo ou o milésimo, nem sei.. sabes bem que não sou muito bom em contas, dizes-me que tens uma surpresa para mim. Fecho os olhos, conto baixinho até dez como me indicaste, abro-os e vejo duas rosas. Com elas vinha um cartão “Sei que deixei feliz com estas duas rosas. Aparentemente são apenas e só duas flores, belas mas tristes por estarem longe do sol que lhes dá vida. O encanto não está nas duas rosas que simbolizam os dois meses de namoro; a magia está no teu olhar, olhar doce num tom castanho que me deixa sem duvidas do quero para mim, atrevo-me a dizer para nós. És o amor da minha vida. Amo-te.” Amo-te tanto.

Hasta Siempre Comandante

Filed under actualidade by M. on 14-06-2011

Nathalie Cardone – Comandante Che Guevara Hasta Siempre

Rosário, 14 de junho de 1928 — La Higuera, 9 de outubro de 1967

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